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Conheça aqui essa residência dos Arautos do Evangelho

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A música que não saiu da Capela Sistina

Encontramo-nos na Semana Santa. O Papa Clemente XIV preside na capela Sistina as cerimônias do Tríduo Pascal. Célebres músicos haviam sido convidados a fim de tocarem a maravilhosa composição de Allegri, o “Miserere”. Esta melodia era interpretada somente na Capela Sistina, durante a Semana Santa, e ninguém podia executá-la em nenhum outro recinto. Para garantir essa exclusividade, após a cerimônia, os músicos rasgavam suas partituras diante do maestro.

Enquanto vibravam as notas do “Miserere”, as cenas pintadas por Michelangelo naquela capela pareciam tomar vida. Todos os convidados ficavam extasiados de admiração ouvindo a bela canção e admirando aquelas pinturas. Estava também presente um jovem de quatorze anos, de estatura  pequena e aparência inteligente, vestido com uma humilde roupa de cor verde. Ele não prestava muita atenção, como os outros, nas pinturas, mas sim na melodia. Ninguém sabia quem ele era. Passado algum tempo, o desconhecido aproximou-se do secretário do embaixador da Áustria, e ambos saíram juntos.

Ao chegar a seus aposentos, o jovem sentou-se diante de uma escrivaninha, tomou um caderno pautado e começou a desenhar com grande agilidade notas musicais no pentagrama. À noite, durante o jantar do embaixador, falou-se da cerimônia e  do efeito maravilhoso que produzira o “Miserere”. Começou, então, uma conversa entre um cardeal ali presente e os  embaixadores.

– Que pena que não se possa tornar conhecida em todo o mundo esta melodia – lamentou o embaixador da Áustria.

– Vossa Eminência deveria servir-se desse argumento junto a Sua Santidade, a fim de obter uma cópia da melodia – replicou o embaixador da França que jantava com eles.

Então disse novamente, o embaixador da Áustria:

– Todos os nossos argumentos são inúteis. Há muitos séculos que esta música foi composta por Allegri e nunca foi tocada senão na capela Sistina; nem reis, nem imperadores poderiam divulgá-la, pois este canto faz parte do tesouro sagrado de S. Pedro, e daí não sairá.

No dia seguinte, Sexta-Feira Santa, aquele misterioso jovem apareceu no mesmo lugar, mas com uma peculiaridade. Sua atenção estava presa nas folhas do caderno onde escrevera, no dia anterior, os sinais musicais. O fato chamou a atenção de um cardeal que a partir dali não cessou de observá-lo. No dia seguinte quando o sol estava se pondo, vários nobres se reuniram no palácio do embaixador austríaco para comemorar a Páscoa. Festejavam  alegremente, nos salões, brilhavam luzes multicolores, eram servidas requintadas iguarias, e os músicos se preparavam para, ao cair da noite, começarem a tocar as primeiras músicas festivas.


De repente, ouvem-se os acordes de um órgão, todos ficaramm em silêncio e uma voz juvenil elevava-se  entoando com força e suavidade o “Miserere” de Allegri, que nunca ressoara com tal grandiosidade e vigor. Os ouvintes ficaram boquiabertos de espanto e admiração. Mas, nem todos, pois alguns diziam que aquilo era profanação e roubo, porque aquela música só poderia ser tocada na Capela Sistina. Na mesma hora o embaixador agarrou o braço do jovem e começou interrogá-lo:

– Como você consegue tocar esta música tão perfeitamente? Creio que para executá-la assim, precisou sem dúvida copiá-la!!!

– Sim, sim!!! – Exclamou um cardeal, o mesmo que no dia anterior o observara atentamente na capela Sistina.

– Vossa Eminência está bem certo disto? – perguntou o embaixador da Áustria.

– Parece-me que o vi… – murmurou o cardeal.

Então disse o jovem com reverência ao cardeal:

– Vossa Eminência viu-me somente ouvindo e admirando a melodia, não é isto?

Perguntou então o cardeal:

– Sem dúvida, mas como sabeis a música sem faltar nenhuma nota?

Replicou o jovem:

– De cor, pois ela marcou tanto a minha alma, que nela se gravou do primeiro ao último compasso. Eis a verdade, juro isto em vossa presença.

Os circunstantes estavam en-cantados com a cena. Aproximaram-se do jovem e felicitaram-no. Porém, essa atitude não foi unânime.  Alguns diziam que deveria ser levado pelo cardeal ao Papa, a fim de lhe prestar contas da indevida utilização daquela música.

– Amanhã ele deverá apresentar-se ao Papa, disse o embaixador da Áustria. Com isso o rapaz retirou-se do ambiente e a festa continuou.

No dia seguinte, o jovem foi convocado pelo Papa Clemente XIV para comparecer ao Vaticano. Quando chegou, todos os presentes acharam estranho vê-lo ali, pois, não era costume pessoas tão jovens serem recebidas em audiência pelo Papa. Quando ele se ajoelhou diante do Santo Padre, este deu-lhe o anel a oscular, e começou a interrogá-lo:

– É verdade, meu filho, que este canto do “Miserere” reservado, até hoje, para a Capela Sistina gravou-se na tua memória na primeira audição?

– É verdade Santo Padre – respondeu o jovem.

Disse então o Pontífice:

– Querido jovem, vejo no teu olhar que estás dizendo a verdade. Meus antecessores decretaram que o “Miserere” não saísse do Vaticano, mas se Deus permitiu que pudesses apropriar-te tão miraculosamente desse canto é porque sem dúvida te destinou, a compor melodias para a Santa Igreja. Tem sempre presente que este dom não é teu, mas da Igreja, portanto, deverás servi-La fazendo bom uso dele. Va, pois, em paz e recebe a benção apostólica.

Este prodigioso jovem era Wolfgang Amadeus Mozart, um dos maiores compositores de todos os tempos. Sobre ele afirmou Joseph Haydn: “a posteridade não verá um talento como esse em 100 anos.”

Texto: Johnatan Inocêncio Magalhães

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O seu caleidoscópio está pronto!

Uma das grandes maravilhas criadas pelo homem é o vitral. A harmonia de cores que extasiam quem quer que deite o seu olhar sobre eles, realmente é inigualável. Entretanto, por ter sede do infinito em sua alma, o homem não se contentou com aqueles pedaços de vidro coloridos imóveis em uma parede. A partir do século XIX, descobriu-se um objeto extraordinário que conseguiu reproduzir uma sequência quase infinita de combinações policromadas.

Seu nome é “caleidoscópio” e provêm do grego (καλόςείδοςσκοπέω). Na verdade é uma junção de três palavras: καλός (kalós), que significa “belo, bonito”; είδος (éidos), que quer dizer “imagem, figura”; e σκοπέω (scopéο), que traduz-se por “ver, observar”. Portanto a palavra “caleidoscópio” em seu conjunto pode-se entender como “ver imagens belas”. Realmente, podemos afirmar que o nome é bem apropriado para invento tão belo como esse.

Foi criado na Inglaterra, em começos do século XIX (1817), pelo físico escocês David Brewster (1781-1868), enquanto realizava experimentos sobre a polarização da luz. Era ele um homem culto e grande conhecedor do grego antigo (daí provêm o nome). Doze ou dezesseis meses depois ele maravilhava o mundo inteiro. Nessa mesma ocasião, um rico francês adquiriu um caleidoscópio produzido não de vidros policromados, mas com pérolas e gemas valiosas pelo custo de 20.000 francos.

Há quem defenda que o caleidoscópio já era conhecido no século XVII, e até muito antes, na Grécia antiga. Apesar de ter sido criado para fins científicos, o caleidoscópio foi durante muito tempo considerado um simples brinquedo para crianças e adultos. Atualmente ele é fonte de inspiração para desenhistas, bordadeiras e decoradores, fornecendo padrões de desenho geométrico.

O caleidoscópio é constituído por um tubo cilíndrico, com um fundo de vidro opaco; no seu interior são depositados alguns pedaços de vidro colorido e três espelhos. Ao colocá-lo diante da luz e fazendo-o rolar vagarosamente, observa-se no interior do tubo, através da abertura feita na tampa, um espetáculo feérico, pois os pedaços de vidro coloridos, com os reflexos dos espelhos, multiplicam-se e, mudando de lugar a cada movimento da mão, dão lugar a numerosos desenhos simétricos e sempre diferentes.

Neste invento, além de admirarmos a beleza que Deus colocou nas criaturas e sonharmos com as maravilhas celestes, temos grande prova da infinitude do Altíssimo, pois é quase impossível repetir a mesma figura.

Faça-o você mesmo!

Este é um dos inventos que todos nós podemos ter e até fazer em nossas próprias casas.

Basta ter:

  • 3 espelhos planos retangulares, cada um com 20 cm de comprimento e 4 cm de largura;
  • Um pedaço de PVC (cano plástico) com 20cm de comprimento e 2 polegadas (5 cm) de diâmetro;
  • Um pedaço de plástico leitoso ou papel vegetal;
  • Um pedaço de material flexível e opaco (cartolina, papelão etc.);
  • Fita crepe;
  • Pedaços de vidro de cores vivazes e contrastantes.

Procedimento:

  1. Una os três espelhos, com a fita crepe, formando um triângulo, e coloque-os dentro do tubo de PVC;
  2. Tampe uma das extremidades do tubo com uma folha de plástico leitoso ou de papel vegetal;
  3. Acrescente as pequenas pedras coloridas dentro dos espelhos;
  4. Faça uma pequena abertura no centro do material opaco e tampe a outra extremidade.

O seu caleidoscópio está pronto! É só olhar pela abertura, direcionando a outra extremidade para alguma fonte direta de luz. Podem-se admirar imagens coloridas esplêndidas. Girando o caleidoscópio, as pedrinhas tomarão uma nova disposição e imagens inéditas serão formadas.

Texto: Victor Castillo.

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