No início do Gênesis encontramos a primeira narrativa da criação que descreve a obra de Deus em seis dias. Vemos no primeiro dia que: “No princípio Deus criou os céus e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1, 1-2). No segundo dia Deus ordena: “‘Faça-se um firmamento entre as águas, e separe ele umas das outras’. Deus fez o firmamento e separou as águas que estão debaixo do firmamento daquelas que estão por cima” (Gn 1, 6-7). No terceiro dia, Deus disse: “Que as águas que estão debaixo do firmamento se ajuntem num mesmo lugar, e apareça o elemento árido” (Gn 1, 9). Ao elemento árido Deus chamou Terra e ao ajuntamento das águas Mar (Cf. Gn 1, 10). No quinto dia Deus cria os seres vivos: “‘Produzam as águas uma multidão de seres vivos, e voem os pássaros sobre a terra, debaixo do firmamento dos céus’. Deus criou os monstros marinhos e toda a multidão de seres vivos que enchem as águas, segundo sua espécie, e todas as aves segundo sua espécie” (Gn 1, 20-21). Em seguida abençoou os seres vivos para que frutifiquem, se multipliquem e encham as águas do mar (Cf. Gn 1, 22).

Vemos nesta narração a criação dos céus e da terra, dos elementos verdes e dos seres vivos, no entanto, a água que é citada oito vezes, em nenhum momento é apontada sua criação.

Afinal, quando Deus criou a água?

Em Santo Ambrósio encontramos esta afirmação sobre a obra da criação: “Assim, no princípio do tempo Deus fez o céu e a terra. O tempo existe, pois, a partir deste mundo, não antes do mundo; o dia, por sua vez, é uma parte do tempo, não o princípio. Pela sequência da leitura, poderíamos acrescentar que no primeiro dia o Senhor fez o dia e a noite, que são turnos dos tempos, e no segundo dia fez o firmamento, pelo qual separou a água que está embaixo do céu da água que está acima do céu; contudo, para esta asserção, basta dizer apenas que no princípio fez o céu, de onde vêm a prerrogativa e a causa da geração, e fez a terra, na qual está a substância da geração. Com efeito, neles foram criados aqueles quatro elementos, a partir dos quais são geradas todas as coisas que são do mundo. Os quatro elementos são o ar, o fogo, a água e a terra, que estão misturados uns aos outros em todas as coisas” (Hexameron, Santo Ambrósio. 6,20).

Santo Agostinho afirma que “pelo termo ‘terra’ entendamos já constituída a forma terrena e sobre ela estendidas as águas mencionadas com a forma já visível de sua espécie” (Comentário aos Gênesis, Santo Agostinho. 27).

Portanto, em um único momento Deus criou todo o Universo, inclusive a água, como afirma Santo Tomás de Aquino (Questiones Disputatae De Potentia Dei): “Uma parte do Universo depende de outra, especialmente a inferior da superior. Assim, é impossível que algumas partes tenham sido feitas antes que outras”.

Fonte: http://novafriburgo.blog.arautos.org